21 abril

Vale a pena tentar fazer sexo sem vontade em nome de um casamento?

Foi mais uma daquelas polêmicas de internet que chocam as pessoas e dois meses depois ninguém lembra. Uma blogueira que “ajuda mulheres a se empoderarem” deu uma resposta super tosca a uma seguidora.

Pronto! Recebi umas 15 mensagens me pedindo opinião.

Primeiro eu acredito que cada ser humano tem direito de seguir o que lhe faz mais sentido, e se tem gente assim falando é porque tem público dando voz. Lamentável indício de uma sociedade ainda doente.

Sobre o que eu responderia a seguidora, mas infelizmente não tenho ainda tantas devotas como ela, seria baseado no meu trabalho clínico:

  • Casamento é dividir, e não servir.

A autora da resposta infeliz colocou como se a mulher fosse a responsável por toda a manutenção da felicidade do relacionamento, apenas aceitando sua servidão. Esse é um modelo que não cabe mais atualmente. Somos todos seres humanos livres e nos casamos para sermos felizes e amados.  Se for para sofrer ou virar um prisioneiro do outro, para quê casar-se então?

  • Sexo é para dar prazer e não ser uma obrigação.

Mulheres são menos estimuladas a gostarem de sexo por um conjunto de erros na nossa construção social, como por exemplo, dizer que sexo é sujo, que homens só querem isso, que mulher não sente tanto prazer e é normal etc. E infelizmente muitas mulheres carregam isso dentro delas mesmas e acabam levando isso para suas vidas sexuais. As próprias mulheres não acreditam que podem gostar tanto ou mais de sexo que os homens, tornando-o uma obrigação como bem sugere a dona da resposta. Infelizmente é um caminho desastroso em todos os sentidos.

  • Fazer sexo sem vontade traz consequências graves à saúde.

Quanto mais se ensina para a mente que sexo é ruim, menos vontade espontânea existirá, e acredite, algumas mulheres já chegaram ao ponto de ter repulsa pelo sexo por causa disso.

Ao trazer essa mensagem aversiva para o cérebro, além de anular a libido, a pessoa pode ter problemas emocionais e físicos sérios, pois o corpo passa a entender como uma verdadeira violação. Algumas somatizações também podem ocorrer como o vaginismo, dispareunias (dores na hora do ato) e até outros problemas não sexuais, como enxaquecas, problemas gastrointestinais, urinários etc.

  • Ninguém é responsável pelo prazer de ninguém.

Na resposta infeliz da autora, ela coloca a mulher como a fonte de prazer do homem. Acontece que o prazer é uma descoberta individual, apenas dividimos isso com outra pessoa, afinal quem consegue mensurar a sensação é apenas o dono do corpo. E convenhamos, os homens são bastante estimulados a se conhecerem e serem amigos do seu órgão sexual, enquanto para as mulheres é sujo, feio dentre outros. Obviamente a mulher tem mais dificuldades em se conhecer e viver o prazer livremente.

  • A solução é em conjunto.

O diálogo entre o casal ainda é o melhor caminho. Falar sobre sexo como se fala de finanças ajuda muito os momentos de prazer, alimentam a liberdade e a espontaneidade da intimidade. Outra coisa que tem dado muito certo com os casais é estimular a mulher a se soltar, a se conhecer e a ser dona do seu prazer. Não é uma desconstrução das mais fáceis, mas quando em dupla, um apoiando o crescimento do outro, fica muito mais leve e eficaz. Vale muito a pena buscar a sintonia, o meio termo ao invés da arbitrariedade e da tentativa de igualar a frequência sexual sem um porquê plausível para os dois.

E fica sempre aquele recado final, se está muito difícil fazer sozinho, procure um psicólogo sexólogo para auxiliar vocês. Não fiquem sofrendo nem aceitando situações desconfortáveis, é possível ter uma vida prazerosa a dois em que ambos fiquem satisfeitos e felizes!

Segue o vídeo que falo sobre isso.

Até o próximo texto!

Marcelle Paganini

 

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